Oficina de música com pacientes hospitalizados: uma proposta de trabalho para o psicólogo hospitalar

A música é o remédio da alma triste.

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Clarice Lispector



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Minha vida profissional tem como eixo o mundo hospitalar. Adentrei esse mundo como estagiária e, depois, como psicóloga, numa época em que havia muitas indefinições sobre o papel do “psicólogo hospitalar”. Mais tarde, assumi a função que exerço até hoje: professora do curso de psicologia hospitalar da PUCSP. Essa história tem sido marcada pela busca de novas formas de atuação do psicólogo hospitalar junto a pacientes, adoentados.

O mundo hospitalar impõe dificuldades e condições especiais de atuação e estas, novas dimensões no processo de cuidado psicológico a pacientes e a seus cuidadores. Como ser mais continente às necessidades das pessoas doentes internadas? Como dar conta de tantos pacientes em pouco tempo, em espaço coletivo, por vezes sendo uma das poucas senão a única psicóloga da instituição? Muitas são as questões que me acompanharam nessa trajetória. Muitas permanecem me inquietando, mas quero lhes contar algumas respostas...

Acompanhada por muitas perguntas chegamos – meus alunos e eu – ao Hospital do Rim e Hipertensão – Fundação Oswaldo Ramos, de São Paulo, com o qual temos parceria pela PUCSP desde a sua fundação. As experiências de estágio supervisionado nesse hospital constituíram um “laboratório” de várias estratégias inovadoras de atuação e de inserção da psicologia no contexto hospitalar. Uma dessas experiências gerou um trabalho muito especial e também minha tese de doutorado.

Em 2005, recebi dois alunos do 7º período de Psicologia em um grupo de supervisão de estágio no Hospital do Rim. Eles sabiam tocar instrumentos musicais e gostavam de música além da psicologia Gosto e habilidade se aliaram a uma nova proposta: fazer um grupo de música com os pacientes internados.

Tínhamos observado que alguns pacientes gostavam de cantar na “Oficina de Artes”: trabalho já desenvolvido com os pacientes internados no hospital num espaço em que podiam realizar atividades artísticas de sua escolha. Mas também observávamos que alguns pacientes não iam até o espaço da “Oficina de Artes”, por restrição física, por vergonha, alegando não ter inclinação por atividade artística, muitas vezes ouvimos alguns pacientes falar “mas eu não sei fazer nada”, “eu não sei fazer isso”, ou ainda alguns homens pareciam constrangidos em participar quando viam que havia tinta e papel no local.

A nova proposta foi convidar os pacientes para ouvir música. Os alunos, músicos, tocariam seus instrumentos, viola e violão, e cantariam para os pacientes. Mas, um aspecto faria a diferença: os pacientes escolheriam as músicas que gostariam de ouvir! Assim iniciamos o que viemos a chamar de “Oficina de Música”. Não como audições musicais, mas uma oportunidade de atuação da Psicologia no hospital. Essa é uma história que vale a pena ser contada...

Uma vez por semana, os músicos - psicólogos dirigiam-se ao andar onde iriam realizar a oficina. Alternavam-se os andares para favorecer que  mais pacientes pudessem participar dos encontros, mas todos os pacientes que pudessem se locomover até o andar da oficina eram convidados.

Passávamos pelos quartos convidando os pacientes: “Vamos começar uma Oficina de Música no corredor, você gostaria de participar?” Alguns pacientes pareciam surpresos com a ideia de ter música no hospital e respondiam “ daqui a pouco”, enquanto que outros rapidamente levantavam do leito e nos acompanhavam. Os pacientes vinham chegando sozinhos trazendo seu coletor de urina, ou de sangue, ou empurrando seu soro. Outros, acompanhados da enfermagem ou de algum familiar.

No corredor em frente ao balcão de enfermagem, com um banco e cadeiras trazidas dos quartos, todos iam se acomodando.  

             

         Durante as primeiras oficinas ficamos muito surpresos com a repercussão imediata da proposta,  pois não só os pacientes se aproximavam e cantavam, como também médicos e enfermeiros que passavam pelo local paravam e cantavam junto.

    Percebemos que, após a participação na Oficina de Música, muitos pacientes passaram a nos chamar para conversar quando  passávamos pelas enfermarias. Fato incomum, pois geralmente quando lhes era oferecida a possibilidade de conversar, muitos deles não se mostravam disponíveis. Novas reações nos surpreenderam positivamente. Alguns dos pacientes internados passaram a requisitar os estagiários (músicos) para o atendimento psicológico ou para conversar depois que esses pacientes passavam pela Oficina. Tratavam os músicos com familiaridade e proximidade, agradeciam dizendo: “Deus lhe pague pelo seu trabalho”, “É muito bom ouvir música aqui”,  “Muito obrigada, muito obrigado”. Durante a Oficina observava-se o envolvimento, quer cantando junto, quer estando todo o tempo sentado ouvindo, com sorrisos no rosto a cada música apresentada. E havia o exercício da seleção de músicas pelos pacientes. Aí residia a grande diferença. Algo diferente ocorria nas pessoas que ali estavam, durante e após a Oficina. Há muitas histórias a contar...

Inicialmente explicávamos que estávamos ali para tocar música, mas a música que eles pedissem. Perguntávamos o que eles gostariam de ouvir. Novamente percebíamos uma expressão de surpresa, ficavam tímidos. Começávamos com uns acordes de viola para aquecer e sinalizar o que poderia sair dali. Quando não solicitavam nada inicialmente começávamos com uma música qualquer do cancioneiro popular. Depois desse aquecimento alguém arriscava a pedir uma música, sempre perguntando “você conhece aquela...?” Tínhamos um repertório amplo, mas as músicas que não sabíamos prometíamos pesquisar e trazer para o próximo encontro.


Temos uma coleção de histórias e de músicas. Foram centenas de músicas pedidas e tocadas. Ao final de dois anos, tínhamos quatro pastas de letras de músicas, e quando chegávamos na entrada do hospital já perguntavam: “Hoje vai ter música?” . Quero compartilhar com vocês algumas histórias para recriar o clima da Oficina de Música...

Começávamos por exemplo com “Tocando em frente” de Almir Sater... Ando devagar porque já tive pressa... Os pacientes gostavam do estilo caipira porque vêm de todas regiões do Brasil, dos mais distantes interiores, e pediam que continuássemos “ tocando caipira”...

Outros pacientes vinham chegando atraídos pela música. Alguns chegam devagarzinho, sentam e ficam ali quietos. Outros chegam falando de si: porque estavam internados ou a intercorrência que tiveram. Mães que  estavam acompanhando filhos internados também vinham à oficina com as crianças.

Alguém pergunta se conhecemos alguma música de Zé Ramalho. Outros internados há mais tempo perguntam pela músicas solicitadas. “Vocês conseguiram aqueles bolerões antigos?” Pergunta um deles. “Aqueles olhos verdes, cantarola o paciente para indicar a música que gosta.

Pacientes se identificam com a música e cantam junto. Logo alguém pede outra música e assim a oficina vai acontecendo. “Você conhece aquela? E aquela?” E assim vai indo o encadear de músicas a partir da solicitação das pessoas ali presentes. Chalana, Fio de Cabelo, Banco da Praça. “Essa música é para mim “diz um paciente. Já dormi na praça por causa de mulher, e conta a sua história para todos. Na sequência Casinha Branca, Felicidade foi embora, Rio de Piracicaba, Vaca estrela, boi fubá. Os pacientes conversam sobre o autor desta música,  outras músicas da dupla, enfim sentem muita familiaridade com as músicas e conhecem seus autores e cantores.Contam de situações em que ouviram a música, isso abre espaço para falarem de suas cidades e suas regiões, hábitos , festas e amores : Asa Branca, Cavalo Branco, Anunciação, O menino da porteira, Debaixo dos caracóis do seu cabelo. A oficina segue o pedido das pessoas, é acompanhada pelo pau de chuva que passa entre os presentes e toca quem quiser.

Médicos e enfermeiras que passam por ali param, cantam e muitas vezes sugerem músicas também. Geralmente este momento é de muita descontração. Os pacientes gostam quando isso acontece.

         As crianças pedem músicas do Toquinho e todos os outros cantam com ela.Todos podem pedir o que quiserem, e eles cantam juntos.Nunca alguém disse não gosto desta ou daquela música.

Enfermeiras trazem outros pacientes em cadeiras de rodas que não poderiam ter vindo sozinhos e os acomodam na oficina .Outros pacientes que não podem sair do leito aplaudem de dentro do quarto quando a música acaba. A oficina termina quando o carrinho do almoço passa pelo corredor. São 11h, e os pacientes começam a levantar, não sem antes agradecer muito pela músicas.

    A participação dos pacientes na oficina é muito variada. Alguns falam o tempo todo, solicitam músicas, fazem comentários. Outros ficam ali quietos, ouvindo, mas agradecem muito quando termina. Não sabemos da condição de cada paciente que ali está, mas algumas vezes nos surpreendemos com paciente que ficou o tempo todo na oficina de música, calado, mas acompanhando o movimento e soubemos depois que ele estava rejeitando  o rim transplantado. Tivemos pacientes que iriam fazer o transplante à tarde e pela manhã estavam na oficina contando conosco. Outra vez chega um paciente enquanto a oficina se desenrola e diz que chegou do céu. “Como assim?”,  perguntamos:”Fiz uma cirurgia de intestino”, e pede: “Toca essa viola aí.”

Houve uma situação em que a enfermeira veio buscar paciente na oficina para ir para a cirurgia, e quando este passou na maca pelo meio das pessoas todos dedicaram uma música para ele para que tudo desse certo.

       Afinal o que significava aquele espaço para aquelas pessoas que se sentiam ali acolhidas? Por que a escolha das músicas era um fator tão mobilizador?

 

Minha hipótese era de que, se o paciente escolhe uma música para ouvir, essa música deve ter um significado especial para ele; e se ele escolheu aquela música para ouvir ali no hospital no momento em que se encontra doente essa música deve evocar alguma lembrança que é importante para ele naquele momento, ou deve lhe propiciar algum conforto, o que de alguma forma tem relação com o seu adoecimento. Havia a possibilidade de que a partir desta escolha, os pacientes pudessem falar de si, dos sentimentos e memórias, dos seus desejos e expectativas, de seus medos e pensamentos. Enfim, a música poderia ser uma “ponte de acesso”? Poderia ser um recurso para a atuação do psicólogo no hospital?  Perguntas que me levaram à proposta para minha tese de doutorado, cujo objetivo principal foi compreender quais  os efeitos que a   participação  do paciente renal crônico  hospitalizado nas “Oficinas de Música” , apresenta no seu processo de adoecimento  e como a Oficina de Música  pode vir a ser um instrumento de trabalho  do psicólogo hospitalar.

    Para responder à pergunta sobre o que significou a Oficina de Música, escolhi aleatoriamente alguns pacientes para entrevistá-los imediatamente após a participação em um encontro.

Foram entrevistas abertas com cinco pacientes que me responderam, por vezes longamente, sobre “Como foi para você participar da Oficina de Música?”. Na minha tese as entrevistas estão apresentadas e analisadas em cerca de cem páginas. Recolho alguns dos depoimentos mais significativos de diferentes entrevistados para ilustrar os resultados obtidos.

 

é diferente porque você distrai a cabeça, né? É como se você esquecesse um pouco daqui, desse momento que você está vivendo, você vai para outro lugar, porque...

 

Eu lembrei de muita gente  (chora)  

 

“cada música te lembra uma coisa diferente, cada coisa que a música canta, as vezes, te lembra uma pessoa diferente, entendeu? Um lugar diferente.

 

Ah, de muita gente...( chora) falando de quem as músicas lembraram.

 

é difícil você ficar trancado assim. Não é trancado mesmo, mas é como se fosse,  não tem como sair, acho que eu mesmo nasci para ser passarinho... é difícil

 

você lembrando das coisas, você sabe que você não está sozinho porque estão lá, as suas coisas estão lá, então, na hora que acaba aqui, você vai embora.  

 

é como se você estivesse mais perto, você vai lembrando mais deles ainda

 

várias (músicas) me trouxeram recordações, recordações de pessoas que eu conheço, de amigos meus, de amigas minha, da família. Toda música te lembra alguma coisa, não é? Às vezes não é uma música inteira, às vezes uma frase que a música tem ela te lembra alguém, te lembra alguma coisa aí você se agarra vem a história na sua cabeça de novo, você lembra tudo o que aconteceu

 

Ah eu lembrei de muita coisa, viu? Lembro daquele lugar onde a gente morava lá, não só do Paraná como aqui, né? Eu tenho caminhão e to sempre lá na terra, na área da terra, então, tocava muito aquelas músicas sertanejas, né? No caminhão eu tava sempre escutando música da terra, aquelas músicas sertanejas eu gosto de música sertaneja...

 

Eu sou do interior, sou de uma cidade chamada Capão Bonito, daqui de São Paulo dá, aproximadamente, 280 km, fica na região de Itapetininga, sentido Paraná. É um lugar em que nós viemos de uma raiz, assim, sertaneja. No dia de hoje, por exemplo, que a gente está internado num hospital igual a esse, quando a gente vê um grupo musical é uma alegria, porque a gente começa a lembrar daqueles que ficaram na casa da gente e é uma coisa que marca para gente e faz bem, porque a música levanta o astral, neste momento de tristeza, é um momento que a gente se sente alegre, se sente familiar no meio de jovens principalmente, a viola que é um instrumento bem de raiz. Então faz muito bem para a gente, então quer dizer que para mim hoje foi ótimo e diferente.

 

Você faz uma terapia, você faz um retrospecto, né? Você volta no tempo.

Ah, eu voltei ao passado, para essa situação atual (...?) a música diz tudo,né? Penso, penso. A letra já diz tudo.

 

Foi a primeira vez. Eu achei gostoso, né? Uma terapia, né? Coletiva, né? Aquela música fala muito da sensação da gente.

 

Ando devagar porque já tive pressa....

Levo esse sorriso porque já chorei demais

                  

Então a gente se comove, né? Ta com a adrenalina a mil, então você relaxa, é um momento que você relaxa e é muito bom, se energiza um pouco. Eu me comovi.

 

É uma terapia...

 

As entrevistas também nos revelam preciosas informações sobre a vivência de hospitalização de cada paciente.

                               



é um período difícil, você tá 21 dias trancado dentro de um hospital, não é fácil.

 

é um desespero

 

é um horror, ter que ficar trancado o dia inteiro  num lugar, você pode ir daqui até ali na porta só e nada mais

 

é complicado você trancado num lugar assim que você não pode sair, aí você fica preso aqui, você não pode sair, né? Então é difícil, não é fácil, não.

 

desde que eu  me internei não tem uma noite que eu não durmo

 

dificuldade para dormir só aqui.

 

me incomoda esse negócio de ficar trancado, entendeu? Não  consigo ficar parado.

 

.. não consigo ficar parado, não sou uma pessoa de sentar num lugar e sentar ali no banco e ficar.

       

Eu fui um homem muito feliz até 2 anos atrás e não tinha nada que me impedia, a gente tava com a saúde toda e.. tenho uma família maravilhosa , meus filhos nunca deram trabalho.

 

há dois anos eu peguei uma falta de ar, fui no médico, aí vim a descobrir que o rim tava paralisado, aí quando foi daí pra cá na hora de vir para cá veio o desespero, porque eu sou motorista, eu tenho caminhão e to aposentado, então eu trabalhava assim: nunca fiquei parado.........eu levava uma vida que eu tinha pedido a Deus

 

Meu sonho,desde criança, foi comprar um caminhão e chegou a hora de comprar e eu comprei, faz vinte e dois anos...Vinte anos que eu tenho o caminhão. Então eu fazia a vida minha, fazia  o que quer, de repente caí, assim numa contradição que não pode mais trabalhar, vai para a hemodiálise e deixou a gente baqueado, para mim foi um desespero

 

Ir para a hemodiálise deixou a gente baqueado...mas como não é a gente que manda, tem que passar e o outro não passa, né

 

Depois veio meu irmão, deu certo, fez vários exames, deu compatível, né? E a gente  hoje, graças a Deus, fiz o transplante, to aqui, to bem.

 

Pelos depoimentos dos entrevistados podemos perceber como para cada um deles as músicas mobilizaram questões específicas, que tinham a ver com suas histórias de vida e com a singularidade do adoecer de cada um.

Para compreender melhor tudo o que os entrevistados me mostravam, precisei explicitar para mim mesma, antes de ser um mero requisito do trabalho de pesquisa, o que eu entendo por doença, adoecer e como cada lembrança se relacionava com o processo de adoecimento e hospitalização desses pacientes.

 

A compreensão da ontologia de Martin Heidegger (1889 -1976) e sua inserção na prática clínica denominada Daseinsanalyse, desenvolvida inicialmente por Ludwig Binswanger (1881-1966) e posteriormente por Medard Boss (1903 -1990) com a colaboração do próprio Heidegger, nos aproxima da compreensão da condição sadia e da condição patológica, temas estes importantes para situarem a proposta da oficina de música e também para a reflexão e análise das entrevistas realizadas neste trabalho.

A idéia de saúde e doença que embasa a compreensão que temos dos pacientes  no âmbito da Psicologia Hospitalar  se dá a partir das idéias do filósofo Martin Heidegger, desenvolvidas na obra Ser e Tempopublicada inicialmente em 1927que situa a noção do existir humano como Dasein. Nesta ontologia o pensador se voltará para explicitação do sentido do ser, tema este que abrigará indícios significativos para uma antropologia, principalmente com a analítica do ser-aí (Dasein), que se desenvolve nesta obra.  Fenomenologia está inserida naquilo que Heidegger chamou de “ontologia fundamental”, a qual se propõe a investigar o que significa ser,  e não  aquilo que significa saber.

Heidegger veio a se ocupar das questões da saúde e da enfermidade numa fase bastante tardia de sua vida, a partir de 1959. Nesse ano foi realizado o primeiro dos famosos Seminários de Zollikon para profissionais da área da saúde, que se estenderam até 1969, sob a coordenação do psiquiatra suíço Medard Boss. .

No seminário de Zollikon de 21 de janeiro de 1965, Heidegger (2001) dirige-se aos médicos para falar sobre doença...  “toda a profissão dos senhores move-se no âmbito de uma negação, no sentido de uma privação. Pois os senhores lidam com a doença. O médico pergunta a alguém que o procura: qual é o problema? (Wo fehlt es?/ Onde falta?),”( p. 73)

Para Heidegger (2001) a doença é então um fenômeno de privação, onde algo está faltando. O doente não é sadio; o ser sadio, o estar bem,  não estão simplesmente ausentes, estão perturbados.

Se a  doença é privação, ela é privação de algo pois em toda a privação está a questão do privado de quê? O que falta? Em toda a privação está a “co-pertinência original”. Por exemplo, um paciente cego está privado de ver, mas isso dificulta  várias possibilidades do seu existir plenamente: a sua locomoção a sua liberdade de ir e vir, trabalhar em determinadas atividades, entre outras limitações. Assim a co-pertinência neste caso seria a liberdade e as possibilidades que não poderão ser realizadas.

Assim, conclui  Heidegger,  os médicos não lidam com a doença, lidam com a saúde, a saúde que falta aos pacientes.

Heidegger insiste em que não se tome a doença como uma simples negação da saúde: não é o seu contrário de acordo com uma lógica dialética ou uma lógica formal; é um modo de existir que se evidencia como uma privação ontológica. O Dasein se mostra num modo de ser modificado ou perturbado, mas que, ainda assim, tem uma co-pertinência essencial com o modo de ser da saúde. As patologias também podem ser pensadas numa perspectiva existencial. Assim, um paciente que tenha sofrido um acidente e esteja com as pernas engessadas, pode ser visto como alguém limitado na sua condição de liberdade, de ir e vir, como uma privação da condição humana, e não apenas como alguém com ossos fraturados.

 

Boss,(1976) pela sua preocupação com assuntos pertinentes à prática médica  entende  o “ser-doente”:

 

...qualquer modo de ser-doente só pode ser compreendido a partir do modo de ser-sadio e da constituição fundamental do homem normal, não perturbado, pois todo o modo de ser-doente representa um aspecto privativo de  determinado modo de ser são. Ora, a essência fundamental do homem sadio caracteriza-se precisamente pelo seu poder-dispor livremente do conjunto das possibilidades de relação que lhe foi dado manter com  o que se lhe apresenta na abertura livre de seu mundo. Primordialmente o modo de ser-doente é também holista. Não pode existir a não ser que haja limitação desta liberdade próprio do homem. É por isso que do ponto de vista científico convêm ser colocada em relação a cada doente, somente pode se apresentar a principio sob estes três aspectos: qual é a possibilidade de relação perturbada? Qual é a esfera daquilo que vem ao nosso encontro que está visada nessa relação? Enfim, como esta perturbação se manifesta? Tomando esta interrogação fundamental como ponto de particular, somos levados a elaborar uma patologia geral de acordo. ( p. 14-15).

 

Coerentemente com essa conceituação, Boss (1976) propõe ainda uma característica de doença onde ele aponta qual dimensão existencial prioritariamente está afetada:   

  1. Ser-doente caracterizado por uma perturbação evidente da corporeidade do existir humano;

  2. Ser-doente caracterizado por uma perturbação pronunciada da espacialidade de seu ser-no-mundo;

  3. Modos de ser-doente constituindo privações importantes na realização da  afinação própria à essência da pessoa;

  4. Modos de ser-doente constituindo privações importantes na realização do ser-aberto e da liberdade;

 

A maneira de Dasein ser-no-mundo é sendo corporal. Ainda que possamos entender que o Dasein está no espaço e tempo concebidos fisicamente tanto quanto qualquer outro objeto ou ser vivo, a diferença entre ambos não é simplesmente porque o homem pode ter a experiência subjetiva dessas dimensões, mas segundo Pompéia (2003) é porque Dasein é espacial, é temporal. Espacialidade e temporalidade são existenciais de Dasein, isto é, constituem de modo fundamental, seu ser-no-mundo.

Claro que o homem assim como os outros entes (animais, seres vivos, por exemplo) vive num espaço e num tempo físico, tem um corpo físico objeto de estudo das ciências naturais: mas aqui falaremos da corporeidade como existencial. E,  como tal,  está sempre imbricado nos demais existenciais.

A corporeidade diz respeito ao corpo, ao ser corporal; no entanto, para Heidegger, corporeidade não é o corpo que temos, mas corporeidade diz respeito ao corpo que somos.

Para alguns dos pacientes, a corporeidade aparece como limitação, impossibilidade de lançar-se no mundo, ainda que fisicamente não houvesse restrições para isso. Ou seja, fazer uma fenomenologia da corporeidade, segundo Pompéia (2003) é “buscar a qualidade de uma experiência que está intimamente relacionada com a questão do corpo.” (p.31)..

Ainda segundo Pompéia (2003) o objeto apresenta-se com características de forma, de cor, que são dele, o objeto, mas que só podem ser percebidas como tais, ou seja, só são aquelas, porque há olhos humanos que as vêem daquele jeito; há sons que só podem fazem fazer parte do mundo em que vivemos porque ouvidos humanos os ouvem daquele jeito. Isso é corporeidade.

Pompéia (2003) aponta mais duas características fundamentais  do Dasein como ser corporal: indigência e a potência.

Na indigência o  Dasein não pode escolher ser ou não ser desta ou daquela forma; assim, não pode escolher também ser ou não um ser em mudança. Estar submetido a mudanças significa defrontar-se com os “ainda não posso”, já “não posso mais” e isso significa indigência. (p.33). A indigência aparece referida na fala dos pacientes quando os mesmos falam de projetos interrompidos de coisas que não poderão mais fazer, daquilo que deixaram de fazer por conta do problema renal.

Indigência significa pequenez, e a experiência de pequenez “está presente naquilo que designamos como impotência diante da vida ou como essa tarefa é grande demais para mim” (POMPÉIA, 2003, p.33). Assim, diante da impotência muitos pacientes sentem essa pequenez, expressa muitas vezes em não conseguir fazer mais nada.

Sendo a indigência uma experiência de corporeidade, ela traz também a experiência de necessidade. “A necessidade não deixa liberdade para eu dizer ‘quero’ ou ‘não quero’. Ela diz ‘eu preciso’”. (2003, p.34). A indigência diz respeito, ainda à limitação, que é o “não poder tudo”. É possível reconhecer nos seres humanos, doentes ou não, a experiência da limitação aparecendo como falta de liberdade, “como um aprisionamento”. Tal vivência, como veremos, aparecerá na fala de alguns pacientes renais crôniocos.

Enquanto a indigência significa o ainda não posso, “o poder-mudar possibilita o crescimento, o desenvolvimento, os ganhos, todos os ‘agora posso’, todos os ‘posso cada vez mais’ e isso significa potência.(POMPÉIA, 2003, p. 33).

A potência de ser se expressa a partir de um poder fazer. Algo que fundamenta a potência do ser de Dasein, a corporeidade, está também na base do poder ter prazer. O poder ter prazer para os pacientes se apresenta a partir da abertura de novas possibilidades do Dasein.

Esses dois conceitos – indigência e potência – serão particularmente importantes para a compreensão dos pacientes renais crônicos, pois o sentir-se potente ou impotente independe das restrições físicas impostas pela condição de paciente renal, mas sim pela condição do ser enquanto Dasein, ou seja, mesmo podendo realizar várias atividades devido a sua condição física, os pacientes vivenciam uma sensação de impotência, de ”não consigo”.

O modo de ser do Dasein sempre inclui alguma experiência espacial, não o espaço objetivo fora dele, mas uma dimensão espacial que faz parte dele. Dasein leva consigo o espaço na medida em que “ele é o em que há  mundo, e é para ele que os outros entes estão perto ou longe, de um lado ou de outro”  (POMPEIA, 2003, p. 30). A isso denominamos espacialidade.

Como o Dasein é sempre um vir-a-ser, um tornar-se, e isso implica tempo. “Ele, a cada momento (presente) penetra no que ainda não é (futuro), e carrega consigo o já sido (passado).” (POMPÉIA , 2003, p. 30). A isso denomina-setemporalidade.

O ser-no-mundo, fundado na compreensão de ser, é sempre e necessariamente uma relação simultânea com passado, presente e futuro, independentemente dessa relação ser suficientemente visualizada. Toda ocupação se constitui a partir de uma circunstância já formada e em função de finalidades, mesmo que tais conexões com o passado e o futuro não sejam explícita e conceitualmente elaboradas. Uma atividade é a concretização de uma possibilidade, que por sua vez se constitui enquanto possibilidade a partir de um passado já consumado. Ao consumar uma possibilidade, o presente constitui o passado e em função desse movimento se abrem novas possibilidades. Encontrar essas novas possibilidades é o que os pacientes muitas vezes precisam, porque sentem-se ainda impossibilitados diante da nova condição.

    A tonalidade afetiva segundo Heidegger (2001) diz respeito ao modo  do homem como ser existente. É o existencial responsável pelo modo com que o homem, na condição de ser existente no mundo, se insere afetivamente no mundo dos fatos, ou seja, as tonalidades afetivas dão o “tom” com o qual se “afina” o ser-no-mundo na mundaneidade de seu mundo e no conjunto fático no qual desempenha sua existência. Por meio destas, obtém-se o modo com o qual o ser-aí já sempre está e se torna, ocupado com utensílios em tarefas, preocupado com os outros e cuidando de si próprio. Convém salientar que toda a compreensão é sempre afetiva, nesse sentido o ser-aí sempre já compreende o seu mundo num certo humor.  

    Nas entrevistas com os pacientes fica evidenciado o modo como eles aproximam a sua condição de restrição (doença). Ficar longe de seus afazeres de sua lidas cotidianas tem um peso enorme, para outro estar distante do mundo da estrada tira-lhe o bom humor e resta-lhe a lembrança de ter um dia vivido esta possibilidade. Nas oficinas as músicas e o contato com os psicólogos músicos abrem novos encontros onde o humor é vivido com a intensidade da participação, das lembranças e até mesmo do esquecimento de sua condição atual.

Para finalizar cabe falar sobre o tema morte, para compreendermos o dito (e o não dito, ainda) da fala dos pacientes. Segundo a analítica existencial de Heidegger e Boss, diferentemente da concepção das ciências naturais, morte não significa fim, não significa algo que falta. Para a Daseinsanalyse o poder-morrer seria uma das possibilidades do poder relacionar-se ou das possibilidades do existir humano. O poder-morrer é uma possibilidade  do existir humano e, como tal, a mais extensa e não  ultrapassável.

Nossos pacientes renais crônicos provavelmente vivenciam todas essas dimensões de modos de ser-doente. Quando compreendemos o adoecer como redução de possibilidades existenciais, não estamos nos referindo a uma doença (no caso, renais crônicos), mas a um modo de existir comum a todos nós, ante o qual as demais possibilidades se tornam mais ou menos restritas.  

Segundo Cytrynowicz (2003, p.65) “Não é unicamente o que o doente apresenta que o faz doente, mas como ele vive isto que apresenta”, ou seja, como está a liberdade da pessoa para realizar suas possibilidades, quais possibilidades estão prejudicadas, em relação a quais aspectos do mundo da pessoa esse prejuízo ocorre.

Esses aspectos foram colocados espontaneamente pelos pacientes da pesquisa, como veremos a seguir. Apesar de todos os pacientes serem renais crônicos cada um deles vivencia a sua doença de uma forma única, sentindo-se limitado em um âmbito mais especifico da sua forma de ser-aí.

Nas restrições, a pessoa pode perceber as próprias alterações de humor, os próprios temores a sua mudança de vida e, com, isto, a mudança de seu mundo, percebendo também os limites da autonomia própria. A isso denomina-se afinação  que é um jeito, como uma melodia que fornece para o homem o tom, ou seja, que afina e determina o modo e o como de seu ser. As possibilidades sempre são abertas ao Dasein a partir do modo como está afinado. ‘As afinações são o como de acordo com o qual as coisas são para alguém de um modo ou de outro.’ (JARDIM, 2007)  

As descobertas de temores e restrições geralmente trazem dor, revolta e medo. Reconhecendo as suas próprias limitações e dificuldades, o doente pode chegar a se aceitar mais integral e verdadeiramente e aceitar as condições de sua vida para aquilo  que efetivamente possa dar conta. Por isso, pode-se dizer que o estado de doença pode ser bem vivido, dando condições para o paciente identificar as próprias restrições, a qual singulariza o próprio existir.

Nesse sentido o trabalho dopsicólogo no âmbito do hospital  junto a esses pacientes torna-se uma ajuda bastante importante pois saber identificar essas restrições pode ajudar o paciente a encontrar condições e recursos para superação das dificuldades ou a utilizar-se dos recursos de que ele dispõe para abrir espaços sadios de relação com a vida, não permanecendo presos ao que falta - carece.

 

A partir do nosso contato com os pacientes renais crônicosidentificamos  que: 1-a temporalidadeé vivida marcada pelo tempo de espera na máquina de diálise, pela espera do órgão, pelo transplante, pelo sucesso do transplante, para o novo rim funcionar; 2-há a afinação ou disposição de humor, como alegria pelo órgão, apreensão pelo sucesso do transplante, felicidade pelo transplante, medo da rejeição do órgão; 3-há a restrição da relação com os outros , restrições sociais, sexuais, de trabalho e ainda restrições na abertura e liberdade, por não poder viajar, deslocar-se, não poder trabalhar, e em suaautonomia devido às contínuas idas ao hospital, à dependência da máquina de diálise, à necessidade de acompanhamento médico sistemático. São modos de ser-doente característicos dessa  condição de  adoecimento renal e crônica.

Tal vivência de ser doente revela-se nessas limitações que impedem os pacientes de exerceram as suas possibilidades enquanto ser no mundo. E, essa forma de existir doente é marcada pela impotência. A única possibilidade de potênciaque aparece é a possibilidade do transplante, que o remete à esperança, ao futuro.

Consideramos que a base para o trabalho do psicólogo hospitalar esteja apoiada na possibilidade de que, mesmo sendo afetado por uma doença que restringe sua vida, como a doença renal, no caso dos pacientes  desse trabalho, o paciente pode  abrir-se para novas possibilidades do próprio existir.

Assim, mesmo diante de uma restrição (no caso, as impostas pela condição de renal crônico), há um contexto de relações possíveis e saudáveis que podem ser estimuladas, incentivadas para que o doente não fique fechado, restrito à sua condição de ser-doente, o que poderia ser chamado de restabelecer o modo de ser-saudável na condição de ser-doente.

 

 

 

          1. A Oficina de Música é um recurso para o trabalho do psicólogo hospitalar?

 

Essa é nossa pergunta central. Apresento-lhes minhas considerações finais (até o momento)  a respeito. Serão respostas? Creio que sim!

A partir desse trabalho pude entender que a diferença entre participar da “Oficina de Artes” e da “Oficina de Música”, é que esta não requer outro tipo de expressão do paciente, ou seja, não exige nada dele, pois ele pode apenas ficar ouvindo as músicas. Tive certeza também de que o fato da Oficina de Música ser conduzida por dois psicólogos fazia toda a diferença, pois eles estavam preparados para acompanhar as reações dos pacientes e parar de tocar ou trocar a música ou mesmo abordar os pacientes sobre alguma situação que fosse desencadeada naquele espaço.

Por que Oficina de Música no hospital?  Ao pensarmos qual o nome mais apropriado para o encontro que fazíamos com os pacientes optamos por seguir a mesma denominação de “Oficina”, conforme a Oficina de Artes. Encontramos no dicionário uma definição de Oficina que nos pareceu descrever exatamente o que ali acontecia: “Oficina:  é local onde se produzem transformações.” O violão e a viola facilitaram muito essa proposta, não só por serem instrumentos que facilitavam o contato com os pacientes enquanto a música era tocada, mas também porque a viola enriquecia sobremaneira as músicas regionais solicitadas com muita frequência.

O fato de a oficina ser conduzida por psicólogos e não apenas por músicos foi importante porque o  foco não é simplesmente na música ou a qualidade com que ela era conduzida, mas a possibilidade dos pacientes participarem solicitando musicas, falando sobre elas, e  sobre alguma situação a que essa música possa  remeter, bem como as trocas feitas entre os participantes do grupo que se forma .

A idéia de introduzir no ambiente hospitalar  situações da vida cotidiana dos pacientes, como a música no caso, reflete a forma como penso a Psicologia Hospitalar, como penso que se deva fazer atendimento psicológico no hospital, como encaro o doente, a doença e os pacientes.

Ao longo desses anos dedicados ao atendimento de pacientes hospitalizados, quer como terapeuta quer como supervisora de estágio de alunos que atuam nessa área, vi que ao hospitalizar-se o paciente é praticamente desprovido de sua identidade, de sua subjetividade e passa a ocupar  na instituição hospitalar a “identidade de uma doença”. Assim, não é incomum ouvirmos no hospital referências ao paciente como” a pneumonia do 213”, o “AVC do 514”. Observei que o paciente facilmente assume essa identidade do “AVC”, “da fratura”, “da rejeição do órgão” e com isso esquecem quem são, o que sabem fazer, o que gostam, qualidades profissionais, competências e capacidades e se vêem apenas como doentes. Essa percepção  faz com que fiquem debilitados e se sintam impotentes, pois diante da doença eles não podem fazer nada a não ser entregarem-se aos cuidados médicos porque, esse sim é capaz de fazer algo por ele. Quando conseguem resgatar algum aspecto de sua subjetividade, falar de sua profissão, de sua vida pessoal e familiar, resgatar seus planos, ver o que foi interrompido por causa da doença e o que pode ser resgatado a partir do seu restabelecimento, percebo que os pacientes passam a se sentir melhor, com mais  recursos para lidar com a sua doença. Ele deixa de ser uma doença para ser alguém que está doente. Isso significa que ele pode passar a ter mais recursos de enfrentamento.

Estar no hospital pode deixar de ser ruim na medida em que este deixar de significar “uma prisão”, como muitos pacientes se descrevem e passar a ser, a significar também um lugar onde o paciente pode sentir prazer, se divertir, rir, fazer coisas, mostrar o que sabe, e dizer do que gosta. Acredito da mesma forma que a atuação do psicólogo no hospital não deva se restringir à abordagem verbal unicamente pois que neste contexto encontramos muitas vezes pacientes impossibilitados de falar. O psicólogo que atua com pessoas doentes precisa estar aberto para poder perceber qual é a melhor forma de acesso com o paciente doente e qual é a forma de expressão que facilita o acesso ao mesmo. Do mesmo modo que, como professora e supervisora, portanto atuando na formação de futuros psicólogos, acredito sermuito importante  propor novos desafios  e novas possibilidades de trabalho para que o aluno desenvolva a sua capacidade criativa e o trabalho da psicologia hospitalar tão incipiente ainda, uma vez que existe no Brasil há pouco mais de cinquenta anos.   

       Nesse sentido, enfatizo que o trabalho do psicólogo no âmbito do hospital  junto aos pacientes torna-se uma ajuda bastante importante, pois saber identificar essas restrições pode ajudar o paciente a encontrar condições e recursos para superação das dificuldades ou a utilizar-se dos recursos de que ele dispõe para abrir espaços sadios de relação com a vida, não permanecendo presos ao que falta - carece.

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